Exposição de “Wildlife Photographer of the Year” Destaca Diversidade da Vida Selvagem Global

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O renomado concurso internacional “Wildlife Photographer of the Year” (Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano) revelou as fotografias finalistas de sua edição mais recente, antecipando uma exposição de renome mundial. As imagens, cuidadosamente selecionadas entre milhares de submissões de diversas partes do planeta, oferecem um panorama impressionante da vida animal em seus habitats naturais e evidenciam a criatividade e a paciência dos fotógrafos na captura de momentos únicos. Uma das obras que já ganhou destaque e recebeu uma menção honrosa é a intitulada “Entrega Especial”, que ilustra um instante singular e complexo no comportamento de invertebrados.

Destaque entre os Finalistas: A Vespa-Oleira de Bidyut Kalita

A fotografia “Entrega Especial”, uma obra do fotógrafo de vida selvagem Bidyut Kalita, garantiu uma menção honrosa na concorrida categoria Comportamento: Invertebrados. A imagem capturou de maneira vívida uma vespa-oleira em plena atividade, envolvida no meticuloso transporte de uma lagarta, sua presa. Essa lagarta, um elemento biológico crucial para o ciclo de vida e a sobrevivência do inseto, será utilizada com a finalidade de nutrir e desenvolver a prole da vespa, um processo vital para a perpetuação de sua espécie. A observação detalhada e a capacidade de captar um evento tão efêmero permitiram que Kalita registrasse um cenário que, à primeira vista, pode evocar uma imagem de cunho fantasioso ou lúdico. No entanto, por trás dessa aparente singularidade, revela-se a árdua e fundamental realidade da subsistência e da cadeia alimentar inerentes ao reino animal, onde cada ação desempenha um papel essencial no equilíbrio do ecossistema.

O prestigioso concurso “Wildlife Photographer of the Year” alcançou o estágio crucial de seleção dos finalistas, consolidando um conjunto de obras de valor inestimável. A fotografia de Kalita, juntamente com as demais finalistas, prepara o cenário para os anúncios oficiais. Os nomes dos vencedores de todas as categorias serão agendados para serem divulgados publicamente no dia 14 de outubro. Após esta revelação, um conjunto de cem fotografias consideradas as de maior destaque e registradas pelos fotógrafos mais talentosos em diferentes regiões do mundo, terá seu espaço garantido em uma exibição especial. Essa mostra de alto nível será inaugurada e receberá o público no Museu de História Natural, localizado na cidade de Londres. Esta exposição terá um papel fundamental em permitir que visitantes de todo o mundo tenham um contato íntimo e imersivo com a riqueza, a beleza e a intrínseca fragilidade dos ecossistemas globais, tal como são vividamente retratados pelas lentes dos fotógrafos mais aclamados e sensíveis da vida selvagem.

Outras Obras em Exibição: Retratos da Vida Selvagem Mundial

Dentre as muitas outras fotografias que também comporão a prestigiada exibição, cada uma delas narra uma história particular e aborda diferentes aspectos do mundo natural, oferecendo insights valiosos sobre a interação entre as espécies, os desafios ambientais e a adaptabilidade da fauna em seus ambientes específicos:

A Fragilidade da Vida Selvagem diante do Avanço Urbano

Não há lugar como a nossa casa – Emmanuel Tardy (França)

Em El Tanque, San Carlos, Alajuela, Costa Rica, o fotógrafo Emmanuel Tardy, natural da França, registrou a comovente imagem de uma preguiça-de-garganta-marrom e três dedos firmemente agarrada a um poste de arame farpado. O animal foi fotografado após empreender uma arriscada e incomum travessia em uma estrada, um obstáculo criado pelo ser humano em seu habitat natural. A situação flagrada por Tardy ilustra um dos mais graves e crescentes desafios ambientais contemporâneos: a progressiva fragmentação dos habitats naturais dos animais. Esse fenômeno é uma consequência direta da contínua e acelerada perda de árvores e florestas. Esse cenário impõe severas consequências, forçando espécies arbóreas, como a preguiça, a realizar perigosas movimentações pelo solo – uma superfície onde se tornam amplamente expostas e extremamente vulneráveis a predadores, atropelamentos e a outros inúmeros riscos. A fotografia, assim, transcende o mero registro, funcionando como um alerta sobre o impacto devastador da ação humana no equilíbrio ecológico e na segurança da vida selvagem.

O Drama do Clima e a Adaptação Animal

Jornada na beira do gelo – Bertie Gregory (Reino Unido)

Na imponente Ekström Ice Shelf, situada na remota Baía de Atka Bay, na Antártida, Bertie Gregory, renomado fotógrafo do Reino Unido, documentou um grupo de filhotes de pinguins-imperadores em um momento crítico, caminhando próximos à margem de uma plataforma de gelo. O fotógrafo dedicou um extenso período de dois meses à observação assídua desta colônia de pinguins, notando que a grande maioria dos filhotes fazia uso de rampas de gelo que se formavam naturalmente. Essas formações geladas proporcionavam uma descida relativamente segura e gradual até as águas do oceano, essenciais para sua primeira incursão marinha. No entanto, o grupo especificamente fotografado por Gregory teve sua rota habitual e mais segura bloqueada ou comprometida, o que os obrigou a buscar uma solução alternativa para acessar o mar. Diante da ausência de assistência adulta e privados de suas passagens naturais, estes jovens pinguins-imperadores foram obrigados a empreender um salto audacioso diretamente para dentro do gélido oceano, representando sua primeira e decisiva tentativa de busca por alimento e autonomia. O contexto científico contemporâneo aponta que a contínua e alarmante redução do gelo marinho, fenômeno diretamente relacionado às mudanças climáticas globais, pode intensificar a dependência dos pinguins a se reproduzirem em plataformas de gelo, cada vez mais vulneráveis, tornando saltos arriscados como os registrados uma ocorrência mais comum e, simultaneamente, mais arriscada para a sobrevivência e para a adaptação da espécie frente às novas condições ambientais.

Microrganismos e sua Complexa Organização

Retrato de uma Família de limo – Kutub Uddin (Bangladesh/Reino Unido)

Kutub Uddin, fotógrafo com dupla nacionalidade de Bangladesh e Reino Unido, deparou-se e habilmente capturou um fascinante agrupamento de bolor limoso – também cientificamente conhecido como bolor de limo – sobre a superfície de um tronco caído na exuberante floresta de Slindon Wood, situada em West Sussex, Inglaterra, Reino Unido. A cena foi artisticamente enquadrada pelo fotógrafo, que a descreveu metaforicamente como um “retrato bizarro de família”, ainda mais realçada e singular pela inesperada presença de um pequeno ovo amarelo de inseto, adicionando um toque de mistério à composição biológica. Essa enigmática forma de vida, o bolor limoso, é predominantemente constituída por organismos unicelulares que operam de maneira individual, apresentando características semelhantes às de amebas. Contudo, uma das suas propriedades mais notáveis e estudadas é a sua capacidade intrínseca de se congregar sob determinadas condições. Ao se unir, esses organismos agem de maneira coesa e coordenada, funcionando como uma única e complexa entidade biológica com objetivos definidos: localizar eficientemente fontes de alimento e assegurar a reprodução. Este registro de Uddin revela a profundidade da complexidade e a adaptabilidade surpreendente desses microrganismos dentro do vasto e interconectado ecossistema florestal.

O Espetáculo da Reprodução em Grandes Mamíferos

Chamada do cio – Jamie Smart (Reino Unido)

No idílico Bradgate Park, localizado em Leicestershire, Reino Unido, o fotógrafo Jamie Smart, oriundo do Reino Unido, capturou o instante preciso em que um majestoso cervo-vermelho macho bradava vigorosamente. O ato ocorreu durante a estação de acasalamento do outono, um período crucial e repleto de drama na vida desses animais, onde os machos competem pela atenção das fêmeas. A imagem foi obtida por Smart a uma distância segura, mantendo-se sempre respeitoso ao espaço do animal, garantindo a sua integridade e o comportamento natural do cervo. Sua técnica de captura envolveu a particularidade de se esticar. Esse movimento permitiu-lhe evitar que a alta grama do parque obstruísse a visão principal do sujeito, conseguindo, assim, manter o enquadramento limpo, nítido e com detalhes da cena sem interrupções. Os imponentes chifres do cervo, que na fotografia se apresentam em sua fase de máxima maturidade – completamente endurecidos e desprovidos da camada aveludada, conhecida como veludo – crescem de maneira contínua e impressionante a cada primavera. Tornam-se visivelmente mais grandiosos e intrincados a cada ciclo anual, com o progressivo desenvolvimento de novas pontas que contribuem para sua notável beleza e complexidade estrutural, elementos vitais para o ritual de cortejo e competição entre os machos.

A Inusitada Curiosidade de Predadores do Ártico

Dentro da Alcateia – Amit Eshel (Israel)

A gélida e isolada Ilha Ellesmere, no território de Nunavut, Canadá, serviu de cenário para a impressionante captura fotográfica realizada por Amit Eshel, talentoso fotógrafo de Israel. Eshel conseguiu posicionar-se ao nível dos olhos de uma alcateia notavelmente curiosa de lobos árticos, em condições ambientais extremamente severas, onde a temperatura atingia um mínimo de -35°C. Nessas circunstâncias desafiadoras, ele concretizou seu desejo de fotografar de perto essas criaturas majestosas. A proximidade alcançada com os animais durante o registro foi tamanha que o fotógrafo pôde distinguir não apenas os movimentos e olhares, mas até mesmo o cheiro da respiração dos lobos, uma experiência rara e intensa. É fundamental destacar que esses lobos árticos, cujas populações estão geograficamente restritas às vastas regiões setentrionais do Canadá e ao norte da Groenlândia, demonstram um comportamento de particular curiosidade em relação aos seres humanos. Esta característica é amplamente atribuída à mínima exposição que tais animais tiveram à presença humana ao longo das gerações em seu isolado e remoto ambiente natural, conferindo a essas interações um caráter ainda mais único e significativo.

Solidão e Reunião em um Vulcão Remoto

Essência da Kamchatka – Kesshav Vikram (Índia)

Após uma espera que se estendeu pacientemente por vários dias, o fotógrafo Kesshav Vikram, da Índia, obteve finalmente o registro fotográfico de um urso-pardo em uma caminhada aparentemente solitária. A cena foi capturada às margens do vasto Lago Kurile, situado na região de Kamchatka Krai, Rússia, um local conhecido por sua natureza selvagem e intocada. Na composição da imagem, o imponente vulcão Illinsky emergiu de forma sutil, mas marcante, entre as camadas de nuvens, complementando o cenário grandioso e remoto. Embora os ursos-pardos sejam universalmente reconhecidos por sua natureza predominantemente solitária, o espécime particular capturado pela lente de Vikram estava seguindo em direção a uma área específica. Lá, ele se uniria a outros de sua espécie para a crucial busca de alimento. Essa movimentação estava intrinsecamente sincronizada com a espetacular migração de salmões vermelhos, que nadavam contra a corrente rio acima, vindo do vasto Oceano Pacífico, em direção ao seu lago de origem com o propósito vital de desovar. O registro de Vikram revela tanto a majestade individual do animal em sua caminhada solitária quanto sua integração a um ciclo vital mais amplo, fundamental na paisagem selvagem e remota da Kamchatka, evidenciando a interconexão de todos os elementos naturais.

A Recuperação de Espécies em Ambientes Urbanos

História de dois coiotes – Parham Pourahmad (EUA)

No Parque Bernal Heights, localizado na vibrante cidade de San Francisco, Califórnia, EUA, Parham Pourahmad, um talentoso fotógrafo dos Estados Unidos, aproveitou a suave e característica luz matinal para enquadrar um instante delicado e raro: o olho de um coiote macho, perfeitamente emoldurado pela curva graciosa do rabo de uma coiote fêmea. A imagem foi o culminar de horas de observação e dedicação; o fotógrafo passou algumas horas acompanhando o casal pelas colinas rochosas do parque, aguardando o momento oportuno para o clique. O instante capturado ocorreu precisamente quando o coiote macho pausou seu movimento para “acariciar” sua parceira, um comportamento que revela uma intimidade incomum em contextos urbanos. A imagem oferece uma perspectiva profunda e íntima da interação social entre os animais. Os coiotes são uma espécie notavelmente adaptável, caracterizada pela sua resiliência e capacidade de prosperar em diversos ambientes. Eles estão atualmente em um processo ativo de restabelecimento em San Francisco, uma metrópole da qual haviam, em algum momento da história recente, desaparecido. Este registro é, portanto, um testemunho vivo e eloquente da impressionante capacidade de algumas espécies selvagens de coexistir e, de fato, prosperar em ambientes que estão cada vez mais próximos da intensa presença humana, mesmo no contexto desafiador de grandes cidades.

Elegância e Biologia em Áreas Úmidas

Pose Rosa – Leana Kuster (Suíça)

A fotógrafa suíça Leana Kuster registrou uma fotografia de notável elegância em Pont de Gau, Camargue, França, onde conseguiu capturar um flamingo realizando o gesto característico de coçar a própria cabeça. Esse ato peculiar foi executado utilizando uma de suas inconfundíveis e distintivamente longas pernas. Durante um período de férias na região, Kuster foi profundamente cativada pela observação atenta do comportamento dessas aves, que se deslocam com uma graciosidade singular através dos pântanos rasos e salinos, que são típicos da área da Camargue. No seu habitat natural, os flamingos empregam seus bicos unicamente adaptados – os quais são equipados com fileiras de placas laminares internas, que lembram um pente – para bombear água através deles. Esse processo de filtragem, realizado com o auxílio da língua, permite que as aves selecionem pequenos moluscos e crustáceos que compõem sua dieta. A coloração rosada vibrante e icônica que caracteriza essas aves majestosas é um resultado direto e evidente de uma dieta que é especialmente rica em carotenoides, que são pigmentos naturais encontrados abundantemente tanto em algas quanto em invertebrados, como os camarões, elementos esses que são abundantes no ambiente aquático em que esses flamingos vivem.

Exposição de “Wildlife Photographer of the Year” Destaca Diversidade da Vida Selvagem Global - Imagem do artigo original

Imagem: bbc.com

O Aprendizado Crucial de Predadores

Lições Mortais – Marina Cano (Espanha)

No Parque Nacional Samburu, localizado no Condado de Samburu, Quênia, a fotógrafa espanhola Marina Cano obteve um registro vívido e instrutivo de filhotes de guepardo. A imagem documenta de forma explícita o processo fundamental de aprendizado e a prática incansável da caça, um ritual crucial na vida selvagem. Nela, os jovens guepardos são vistos perseguindo e treinando com um dik-dik, uma espécie de antílope de pequeno porte e bastante ágil, tudo isso sob a atenta e vigilante supervisão da mãe. Após nascerem, os filhotes de guepardo permanecem habilmente ocultos e protegidos em seu covil por um período de aproximadamente dois meses, uma fase crucial para sua vulnerabilidade. Apenas após completarem aproximadamente um ano de idade, eles começam a se juntar aos adultos nas expedições de caça. Durante esse estágio de desenvolvimento, que é indispensável para a sua autonomia, os jovens aprendem e refinam as técnicas complexas de perseguição, de ataque e de abate das presas, habilidades que se mostram indispensáveis para a sua sobrevivência e para a perpetuação da espécie, garantindo a continuidade do seu papel como predadores eficazes no complexo e competitivo ecossistema africano.

Os Desafios Enfrentados pelos Gigantes da Terra

Ponta tóxica – Lakshitha Karunarathna (Sri Lanka)

No Sri Lanka, Lakshitha Karunarathna registrou uma imagem que não apenas captura a beleza da vida selvagem, mas também denuncia um grave e crescente problema ambiental: um elefante asiático solitário atravessando um aterro de lixo a céu aberto em Ampara, na Província Oriental. Ao longo dos últimos três anos, Karunarathna tem dedicado seus esforços a documentar de forma contínua e persistente os severos e, por vezes, fatais impactos das atividades humanas sobre a vida dos elefantes nessa específica região do Sri Lanka. O aterro sanitário de Ampara, objeto de sua fotografia, foi estabelecido há mais de uma década. A sua localização é particularmente problemática, estando estrategicamente próximo a uma área designada para a proteção da vida selvagem, um santuário que serve de lar para uma população estimada em aproximadamente 300 elefantes. Infelizmente, além dos inevitáveis restos de alimentos, esses animais são levados a consumir materiais plásticos e outros detritos descartados por humanos. Essa ingestão, além de gerar problemas digestivos, acarreta a morte gradual e dolorosa de muitos desses animais, sublinhando a ameaça direta e letal que a má gestão de resíduos e a crescente proximidade com as áreas urbanas representam para essas magníficas criaturas e para a saúde delicada do ecossistema local.

Encontro Inesperado no Coração da Savana

Alerta vermelho – Gabriella Comi (Itália)

A fotógrafa italiana Gabriella Comi e seu guia local, David, protagonistas de um safári fotográfico, testemunharam um momento de intensa observação no vasto e intocado Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia. Eles avistaram uma cobra que se aproximava de forma gradual e cautelosa de dois majestosos leões que descansavam placidamente sob o sol escaldante da savana africana. A presença inesperada do réptil deflagrou uma reação natural e instintiva. O leão mais velho entre os dois, em resposta à proximidade da serpente e à potencial ameaça, ergueu a cabeça. Assumindo uma postura de vigilância aguçada e com os olhos fixos na ameaça rastejante, o animal confrontou diretamente a presença inesperada da potencial perigo. A fotografia de Comi captura a tensão silenciosa, mas palpável, do encontro, ilustrando de maneira poderosa como, mesmo em momentos de aparente tranquilidade e repouso, a vida selvagem é constantemente moldada por interações imprevisíveis e pela necessidade intrínseca de estar em constante alerta e atenção a tudo o que acontece ao redor em seu ambiente dinâmico e perigoso.

A Beleza Perigosa do Oceano

Verão entre as águas-vivas – Ralph Pace (EUA)

Na Baía de Monterey, situada em Monterey, Califórnia, EUA, o fotógrafo Ralph Pace, dos Estados Unidos, realizou um registro impressionante de um denso aglomerado de urtigas-do-mar, uma fascinante variedade de água-viva, que dançavam suavemente nas profundezas oceânicas. Para capturar a imagem com a devida segurança em meio a esses seres marinhos, cujos tentáculos podem ser irritantes ou dolorosos, Pace utilizou uma medida protetora estratégica: aplicou vaselina em todas as partes do seu corpo que não estavam resguardadas pela roupa de mergulho, garantindo assim sua proteção contra as picadas. Ele descreveu que os tentáculos desses seres marinhos podem infligir uma ferroada dolorosa, comparando-a a sensações semelhantes às de picadas de abelha, e não apenas à típica sensação urticante. A foto de Pace não apenas exibe a beleza hipnotizante dessas criaturas translúcidas em seu ambiente natural e azul profundo, mas também serve como um importante lembrete da necessidade intrínseca de precaução e respeito ao interagir com a vasta e, por vezes, perigosa vida selvagem marinha, especialmente com organismos que possuem mecanismos de defesa potencialmente dolorosos para o ser humano.

A Resiliência da Natureza em Ruínas Históricas

A natureza retoma seu espaço – Sitaram Raul (Índia)

Em Banda, Maharashtra, Índia, o fotógrafo Sitaram Raul, de nacionalidade indiana, conseguiu uma façanha técnica e artística notável: registrou, em condições de completa escuridão, uma revoada impressionante de morcegos-da-fruta emergindo de uma ruína histórica. Utilizando suas habilidades avançadas em fotografia noturna, que incluem técnicas de foco preciso e flash potente, Raul se posicionou estrategicamente em meio aos animais. Os morcegos-da-fruta voavam incessantemente sobre sua cabeça, realizando “cocô aleatoriamente” tanto sobre ele quanto sobre sua valiosa câmera. Apesar das condições ambientais serem desafiadoras e das circunstâncias peculiares, a fotografia de Raul captura de forma vívida a energia dinâmica e o movimento contínuo dos morcegos em seu habitat noturno natural. É um fenômeno conhecido que, no sul da Ásia, morcegos-da-fruta frequentemente procuram e encontram abrigo em construções que foram abandonadas ou em estruturas que possuem um significado histórico. Eles utilizam essas edificações como parte essencial de seu ecossistema, encontrando proteção e um lar seguro. O trabalho de Raul não apenas oferece um vislumbre raro de um comportamento noturno de uma espécie particular, mas também realça a incrível adaptabilidade da fauna em utilizar e se apropriar de recursos construídos pelo homem após o seu desuso ou abandono.

A Urgência da Conservação dos Recursos Hídricos

Frágil rio da vida – Isaac Szabo (EUA)

Ao atravessar um rio de águas excepcionalmente cristalinas no estado da Flórida, EUA, Isaac Szabo, fotógrafo dos Estados Unidos, capturou uma fêmea de um gar-bicudo (Lepisosteus osseus), visivelmente cercada por diversos machos da mesma espécie. A imagem foi registrada em um período específico e crucial: durante a temporada de reprodução desses peixes. A aparição inesperada e oportuna de uma tartaruga flutuando na cena aquática adicionou um elemento surpresa à composição, descrita pelo próprio fotógrafo como “a cereja do bolo”, enriquecendo a narrativa visual. O rio em questão não é um rio qualquer; ele é parte de um vasto complexo de mil cursos de água que são naturalmente alimentados por nascentes de água doce, mundialmente celebradas por sua notável clareza e pureza. A proteção e a conservação dos aquíferos que são responsáveis pela sustentação dessas preciosas nascentes são de vital importância. Esta medida de conservação não apenas beneficia e sustenta a rica biodiversidade da vida selvagem local, que inclui mamíferos aquáticos icônicos como os peixes-bois, mas também assegura de forma fundamental o suprimento contínuo de água potável para uma porção significativa da população, representando quase metade dos habitantes da Flórida. Este fato destaca a interconexão crítica e delicada entre a saúde ambiental, a conservação das espécies e o bem-estar humano, que depende intrinsecamente desses ecossistemas aquáticos.

Transformação e Restauração em Ecossistemas Costeiros

Nuvens de ouro – Jassen Todorov (EUA)

De uma perspectiva elevada e aérea, Jassen Todorov, fotógrafo dos Estados Unidos, registrou as impressionantes e coloridas nuvens que se refletiam vividamente nas imensas salinas de San Francisco, Califórnia, EUA. As salinas, que abrangem uma área excepcionalmente vasta de quase 5.000 hectares, são notórias por exibirem cortes em constante e bela mudança de cores e texturas. Esse espetáculo visual dinâmico, segundo a própria observação de Todorov, é algo que nunca o cansa de ver, dada sua mutabilidade e beleza. Historicamente, o processo de extração de sal na Baía de San Francisco teve seu início de forma industrial no século XIX, desempenhando um papel significativo na economia e no desenvolvimento da região por muitos anos. No entanto, na contemporaneidade, essas salinas não são mais vistas apenas como unidades de produção. Elas estão atualmente inseridas em um grandioso e ambicioso projeto de restauração ecológica, de abrangência ambiental e impacto significativo. Este projeto tem como objetivo principal a revitalização desses ecossistemas costeiros, promovendo de forma ativa e planejada o retorno e a proliferação da vida selvagem, além da recuperação da rica biodiversidade que outrora floresceu nestes valiosos habitats naturais, transformando áreas de exploração industrial em focos de recuperação ecológica e biodiversidade.

Essas e muitas outras obras selecionadas, celebradas pela sua excelência técnica e pela capacidade intrínseca de narrar as complexas histórias do nosso planeta através das lentes da vida selvagem, farão parte da exposição. A cuidadosa seleção final das cem fotografias que integrarão esta aclamada exibição reflete, de forma abrangente, a vasta diversidade e a notável beleza da natureza global, ao mesmo tempo em que destaca os múltiplos desafios ambientais enfrentados por diferentes espécies e seus ecossistemas vitais.

A aguardada mostra no Museu de História Natural de Londres, a partir de 14 de outubro, promete ser um evento marcante. Ela visa inspirar, educar e conscientizar o público global sobre a importância crucial da beleza e da imperativa necessidade de preservação da fauna e dos diversos ambientes naturais que, de maneira fundamental, sustentam toda a vida na Terra. As imagens dos vencedores serão, sem dúvida, o ápice dessa celebração visual da vida selvagem, mas o conjunto de todas as obras selecionadas já garante uma experiência imersiva e profundamente impactante na complexidade e no esplendor incontestável do mundo selvagem.

Com informações de BBC News Brasil


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